Três pessoas engraçadinhas
que moravam em uma casinha,
bem assim pequenininha.
O maior era o papai.
Ele tinha um vozeirão,
o olho azulão
e um belo narigão.
A mamãe era bem baixinha,
mas não era a menorzinha.
Tinha um rosto enferrujado
e um cabelo enrolado
que crescia para todo lado.
O terceiro era um tiquinho de gente
de cabelos amarelados,
um nariz arredondado
e olhinhos esverdeados.
E bem lá no fundo do quintal da casinha pequenininha,
morava um sapo.
Um sapo daqueles cinzentos e gorduchinhos
que a gente sempre encontra em dia de chuva.
se encantou com o sapo
e todo dia ia para o quintal,
bater com ele um papo.
O sapo, é claro, nunca respondia.
Ficava ali no canto dia e noite, noite e dia.
Papo vai, papo vem, e o tiquinho de gente
começou a ter uma ideia.
Resolveu que dali para frente
aquele sapo guloso seria seu bicho de estimação.
Deu-lhe então um nome:
SAPO SEBASTIÃO
O tempo passou.
O papo continuou.
Veio então um frio danado,
um menino cheio de roupa e um sapo sempre pelado.
O tiquinho de gente achou aquilo muito injusto.
Resolveu dar um jeito na situação!
Chamou sua vovozinha
e pediu a ela então
que fizesse ao menos uma cueca
para o sapo Tião.
Mas o que vocês não sabem,
é que aquela vovozinha
era mesmo maluquinha.
Ao invés de uma cueca
costurou foi uma calcinha.
UMA CALCINHA DE RENDINHA!!!
Ai... ai... ai... ai... ai...
Pensou o tiquinho de gente.
Mas resolveu não falar nada
Com sua avó aluada.
Com a calcinha na mão
foi aprontar a confusão.
Bem no meio do quintal
vestiu o sapo Tião.
O sapo coitado
logo se sentiu apertado
naquele pano rosado,
e saiu todo agitado
saltando para todo lado.
Pulava daqui,
pulava dali,
derrubando tudo pelo caminho.
O tiquinho de gente
bem que tentou agarrar o sapo,
mas só o que conseguiu
foi alcançar a rendinha
daquela apertada calcinha.
A mãe muito preocupada
mas também muito atrapalhada
tentou ajudar o menino.
Espichou a sua mão,
mas só agarrou o calção.
O pai já atarantado e até um pouco zangado
com aquela confusão,
viu que não tinha mais jeito,
estendeu os braços compridos
e deu na mãe um puxão.
Plaft... ploft... pluft...
todo mundo foi ao chão.
E bem no meio do quintal...
Um menino empoeirado
olhava todo espantado
um sapo esperto
fugindo pelado.
Enquanto que a mamãe e o papai
riam adoidado
de seu filho sapeca,
que um dia quis ver o sapo
usando uma cueca!
Cristiane Muniz